Ways To Live Forever / O Menino Que Sonhava Chegar à Lua
O Menino que Sonhava Chegar à Lua não sonhava mesmo chegar à
lua. Era apenas um sonho impossível que não tinha esperança de cumprir, tal
como nenhum dos outros sonhos da lista que escreveu. Já o seu amigo Felix
desafiava-o a cumpri-los a todos, mostrando-lhe a realidade possível nos sonhos
que Sam julgava impossíveis de realizar.
Sam é um menino de 11 anos com leucemia, num estado terminal.
Sabe que vai morrer, os pais sabem que vai morrer, nós sabemos que ele vai
morrer. Nunca o livro nos esconde esse facto. O Sam passa o seu tempo: com os
pais e a irmã, com a Professora Willis, que lhe dá aulas em casa, com a
enfermeira Annie, e com o seu amigo Felix. O Sam passa o seu tempo: a brincar,
a investigar factos verdadeiros, e a escrever um livro sobre si próprio.
Entramos neste livro a descobrir aquilo que Sam nos quer
contar sobre si próprio e a sua vida. Esta personagem fictícia narra o livro na
primeira pessoa, embrenhando-nos na sua vida através do projecto de escrever um
livro. Autobiográfico, como um diário, lemos os acontecimentos do dia-a-dia,
algumas recordações, mas sobretudo interessante, os seus pensamentos. Como
espaço de divagações, o livro torna-se um depósito das questões que preocupam
esta criança de 11 anos.
Curiosamente, as ideias são apresentadas com grande
simplicidade e veracidade. As perguntas são espontâneas e compreensíveis, não
só particularmente para uma criança doente, mas para uma criança dessa idade.
Assim, enquanto vemos Sam despertar e procurar respostas a questões a que
ninguém responde (Para onde vamos depois da morte? O que acontece quando
morremos?), também nós despertamos e meditamos sobre elas.
A inocência das explicações de Sam são experiências e
incertezas; ele próprio apresenta várias possibilidades de resposta. É ainda
carinhoso ver a dificuldade dele próprio aceitar escrever hipóteses que vão
contra as suas crenças (quando o seu amigo Felix apresenta as suas próprias
opiniões). Assim, vemos como um menino inocente e de ideias acertadas, que
incertamente questiona novas possibilidades, e voltando depois a seguir a sua
vida, satisfeito com conhecer novas perspectivas, mas acabando sem deixar a sua
segurança, pacificamente.
Como ninguém obriga Sam a acreditar que Deus não existe,
também nós não nos sentimos obrigados em acreditar em nada que o livro propõe
porque, na verdade, este acaba por deambular pelas várias perspectivas de uma
perspectiva simples e aprofundada ao nível médio de uma criança de 11 anos, até
esta ficar satisfeita, por agora. Assim, este livro torna-se um espaço de
meditação que desperta, sem deixar um desconforto demasiado profundo que nos
tire o tapete de debaixo dos pés.
Obviamente que isto vai depender da pessoa, da sua idade e
da sua experiência. Ao ler este livro com 12, 13 anos, este livro foi para mim
um grande impulsionador a pensar nestas questões. Desperta-as em nós e
deixa-nos embrenhados nelas, a partir de uma envolvência quase pessoal com o
protagonista. Faz pensar na realidade das doenças, na existência e na
identidade de Deus, e também sobretudo, na realidade da morte; e em muitas
questões que podem advir destes temas.
Tudo isto acontece numa perspectiva realista de uma criança
de 11 anos, mas é complementado pelas suas vivências. Sobretudo as suas
experiências, como as que vive para cumprir a sua lista de sonhos (bater um
recorde do guiness, ser adolescente e fazer coisas de adolescente…).
Envolvendo-nos empaticamente na vida desta criança, um
adulto entra de novo na perspectiva de um Sam de 11 anos, enquanto que uma
criança da sua idade encontra um par e um amigo. O público ideal deste livros são crianças dos 8 aos 14 anos, que naturalmente questionam e procuram respostas as estas perguntas aprofundadamente. É possível que seja necessário acompanhamento de um adulto para esclarecer algumas questões; por exemplo, as questões sobre Deus não têm grandes explicações teológicas, porque acabam por questionar mais do que explicar, deixando aberto ao público de cada crença aprofundar a questão como melhor entender, sem manipular o leitor por demais. A públicos de ambas as faixas etárias, no entanto, move e comove; a ambos
faz pensar na morte; mas a ambos faz também pensar na beleza da vida.
Sabemos que ele vai morrer, ele sabe que vai morrer. Nós
sabemos também que vamos morrer. Mas, aqui, aprendemos também a viver, como ele
vive. Deixemos este livro desafiar-nos e comover-nos; vamos lembrar-nos e viver
as dificuldades de uma criança; vamos conhecer o Sam, e como sonha chegar à
lua, vamos descobrir Maneiras de Viver para Sempre.
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O Menino Que Sonhava Chegar à Lua (Sally Nicholls) é um livro de ficção sobre uma criança, escrito do ponto de vista de uma criança. Não é só para ser lido por crianças; mas estas são o principal público alvo (8 aos 14, diria). É de leitura muito fácil, simples mas envolvente e introspectivo; até mesmo alegre; e não tão pesado como o tema faz parecer. É um livro contextualizado na contemporaneidade de quando foi escrito, que é próxima da actual - característica usual dos livros de Sally Nicholls; e usa uma linguagem muito simples e genuína, que nos transporta para o mundo de uma criança com grande naturalidade.
É excelente para introduzir a jovens dos 8 aos 13 uma oportunidade de reflectir sobre questões muito humanas (sem pressionar a respostas definitivas), como são Deus e a morte, por entre experiências e questões cheias de vida.
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O Menino Que Sonhava Chegar à Lua (Sally Nicholls) é um livro de ficção sobre uma criança, escrito do ponto de vista de uma criança. Não é só para ser lido por crianças; mas estas são o principal público alvo (8 aos 14, diria). É de leitura muito fácil, simples mas envolvente e introspectivo; até mesmo alegre; e não tão pesado como o tema faz parecer. É um livro contextualizado na contemporaneidade de quando foi escrito, que é próxima da actual - característica usual dos livros de Sally Nicholls; e usa uma linguagem muito simples e genuína, que nos transporta para o mundo de uma criança com grande naturalidade.
É excelente para introduzir a jovens dos 8 aos 13 uma oportunidade de reflectir sobre questões muito humanas (sem pressionar a respostas definitivas), como são Deus e a morte, por entre experiências e questões cheias de vida.

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