The Fault in Our Stars, cheio de bons pensamentos mas também de melosidade
Um livro cheio de pensamentos mas também cheesy e pretensioso, foi uma leitura profunda e desafiante à primeira vez, mas mais difícil a uma segunda, pela sensação de que há muitos aspectos forçados nas vivências das personagens, e pouco para compensar por isso, pelo menos, até chegar a metade do livro.
The Fault in Our Stars foi a minha primeira leitura de 2019, mas na verdade foi uma releitura de um livro que já
tinha sido lido há anos atrás, em 2012/2013. Na altura tinha mais ou menos a
idade dos protagonistas, e não me lembrando do que foi mais marcante no livro,
sei que a cumplicidade da palavra “Okay” se repercutiu no meu dia-a-dia com
grande intensidade.
Hoje, em 2019, os pensamentos são outros, ainda que pretenda
respeitar a diferença de gostos.
A grande verdade é que a primeira metade do livro se
revelou, desta vez, bastante inferior ao que a expectativa ansiava. Um bolo
meloso e pretensioso de personagens, relações e diálogos, tornaram estes aspectos da narrativa muito
pouco credíveis, o que disso retirava algum prazer. No entanto, talvez pelo
hábito, mas também pelo desenrolar da história, a segunda (ou terceira) parte
da novela foi bastante mais interessante e os pensamentos profundos de
linguagem sofisticada encaixaram melhor. Também aceitei que seria assim – como num
teatro clássico aceitamos as poses encenadas e as vozes sérias colocadas.
Antes de falar disso, no entanto, quero dizer apenas que a
edição do livro é muito agradável, o que é uma grande razão para continuar a
ler; segundo, que senti em algumas partes que a protagonista que fala na
primeira pessoa, Hazel, não ressoou particularmente realista como uma rapariga
de 15/16 anos (pelo menos para mim; não sei se John Green poderia ter feito
melhor, mas já vi muitas melhores vozes femininas em outros livros); mas isto
também não destoa muito particularmente das outras personagens, tendo em conta
o seu vocabulário e as frases compridas e pretensiosas no diálogo que devia ser
informal; e no fundo é apenas superficial nesses aspectos da personagem,
dedicando-se mais ao romance e ao cancro.
Em termos da narrativa, se o primeiro capítulo apresenta
imediatamente a narrativa boy-meets-girl (ou, neste caso, girl-meets-boy) com
um subtexto do cancro, a terceira parte revela-se mais profunda e concilia
ambos os temas de forma mais poderosa, numa vivência dolorosa em que os
pensamentos pretensiosos se tornam mais reais para nós – pelo menos na sua
essência, não tanto na execução –, e nos fazem guardá-los para reflectir neles
mais tarde.
Na verdade, neste sentido, este livro é quase como um livro
de citações, mas enquanto um livro de citações apresenta parágrafos
descontexualizados, este livro cria ambiência para eles e envolve-nos neles de
forma mais eficaz. E se a primeira parte era demasiado cheesy para mim, a
intensificação da realidade humana da última parte redimiram a novela e
transportaram-me melhor para o mundo de pensamentos pretensiosos que, desta
vez, faziam sentido – ou ressoaram mais comigo.
E a relação vivida por Augustus e Hazel é só deles e é algo
que mais ninguém compreenderia, como bem vemos escrito nessa terceira parte, de
forma totalmente despretensiosa e pessoal deixo uma música que ouvia nos tempos
em que li o TFIOS pela primeira vez, e que transmite exactamente essa mensagem:

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