Primeiras Impressões – 5 livros, 4 géneros, 1ºs capítulos


Aconteceu que tinha 1 ou 2 horas para passar o tempo e uma Fnac: portanto muitos livros para explorar. Não sei bem como, mas uma qualquer vontade levou-me a uma experiência interessante que aconteceu espontaneamente.
Não seria possível ler um livro inteiro naquele tempo; por isso, porque não ler apenas o primeiro capítulo de um livro? E porque não não só de um, mas de tantos quanto me chamassem à atenção? 

Pegava, folheava e, se me parecesse minimamente promissor, sentava-me e investia nele. Li o primeiro capítulo de cinco livros, e estas foram as minhas primeiras impressões.

Uma Outra Voz – Gabriela Ruivo Trindade

O primeiro livro de que li um capítulo. Este, na verdade, já ia ler de qualquer forma, visto que me foi aconselhado e seria o próximo a pegar da prateleira.

Primeiras impressões: Um livro com tom muito português; os elementos culturais sabem a família. Os acontecimentos e as pessoas são muito da sua própria época e espaço rural, mais antigos (da década de 50). Há também uma certa graça e leveza nos pensamentos do ‘gaiato’ que narra a história. Não sei o que virá a seguir, mas alicia-me o contexto: a exploração do universo rural português deste passado; e o carinho e simplicidade como é tratado. Agrada-me também a forma como o rapaz adolescente é tratado: é mais objectiva e menos sensível e romantizada do que faria um livro normal para jovens ou jovens adultos – este é um género diferente do que estou habituada, também –, e isso marca uma diferença.

Palavras-chave: Portugal; gaiato; família; anos 50; agradável; sonhos/ambição.

A todos os rapazes que amei – Jenny Hann

Experimentei porque queria poupar o outro livro, que já iria ler com cuidado e com tempo, em casa. Peguei nele porque já tinha ouvido falar, por causa do filme que foi baseado nele.

Primeiras impressões: Não gostei da capa; se alguma vez o comprasse teria de ser outra edição. Já a leitura foi mais agradável. O livro é claramente para jovens e jovens adultos, e é daqueles que se lêem bem. Apesar de o título levantar sinais de ser lamechas, não é bem isso que diz o primeiro capítulo. Sim, há um rapaz, e sim, a protagonista parece gostar dele. Mas o tema principal que encontrei – e que me envolveu e interessou bastante – foi a relação entre a protagonista e as duas irmãs (uma mais velha e outra mais nova). Há grandes nuances e cumplicidade, apresentadas subtilmente. Gostaria de continuar a ler para explorar mais essas relações.

Palavras-chave: Simples; leitura fácil e agradável; narrativa (aparentemente) previsível; relações familiares; exploração de personagens.

Os Peixes Não Têm Pés  Jón Kalman Stefánsson

Quando decidi ler apenas um capítulo, vagueei até me sentir atraída por este livro.

Primeiras impressões: O nome é sem dúvida curioso. Poético ou pretensioso, ou ambos, mas atraente. A capa também era boa, sobretudo o design e a escolha das letras; sóbria mas de cores interessantes que combinavam com o nome. Tal como me agradou a poesia das palavras do título, também me agradou a poesia da linguagem. Foca-se mais em devaneios do que em exploração clara das personagens. Denso, confuso e complicado; mas com um ambiente nórdico muito bonito. Transmite vida. Ritmo fustigante, corre, cheio de vírgulas. É misterioso, tem tons de ficção científica apenas pelo ambiente - e talvez também haja algo de sinistro na capa. Azul, escuridão, montanhas, pesca, peso, silêncio. Intrincado: não consegui perceber quase nada – Mas isso também inspira a ler mais – para apreciar a diferente paisagem e cultura, e para compreender melhor que história fará nascer.

Palavras-chave: Intrincado; Fustigante; Misterioso; Linguagem poética; Islândia; Azul.

Os Milagres de Miranda  Siobhán Parkinson

Depois de três livros muito diferentes, a escolha seguinte recaiu para outra zona: o género infanto-juvenil. O título insinua fantasia, o que traria ainda mais variedade. A capa também era bonita, sem dúvida chamou à atenção.

Primeiras impressões: Estava à espera de um livro sobre o fantástico, mas o primeiro capítulo não seguiu nessa direcção – se há nele sobrenatural, a surpresa é guardada para mais tarde. Isso é bom, porque guarda um elemento surpresa .
Não parece um livro de aventuras normal mas não gostei do estilo de escrita. O que é mau: usa muitos truques para apelar a menininhas, o que afasta outras. Sempre achei ridículo os livros “para raparigas” com afirmações sexistas do género de os rapazes serem estúpidos. Não sei qual é o maior estereótipo. No entanto, deste modo, a protagonista tem personalidade própria, em vez de ser neutra e generalizada; o que me parece ser bom.
Também não sei porque esperei mais. Bland, infantil, redundante, estrelinhas dos estereótipos femininos aos 10 anos. Encontrei algum interesse em: apresentar um propósito para próximos capítulos, mas sem que isso pareça o propósito de todo o livro. O tom de aventura combina bem com a imaginação de uma criança, animando o quotidiano (bom para crianças). Agarra o leitor – fez-me querer ler mais só para para saber o que se segue e, sobretudo, para conhecer melhor outras personagens, porque a protagonista pouco me interessou.

Palavras-chave: Estereotipado; cor-de-rosa; infantil; levezinho; aventura no dia-a-dia de crianças.

Princesas secretas: Férias Reais – Rosie Banks

Li este para tentar provar que havia livros melhores que apelassem ao mesmo público. Daí que tenha escolhido um título e uma capa explicitamente infantil e para raparigas.

Primeiras Impressões: As primeiras descrições tinham muita vida, e mais personagens, que contextualizavam o background da protagonista – ainda que sejam apenas estereótipos de pais e irmãos. Muito simples. Enredo mais óbvio – vai surgir algum tipo de aventura e com magia. E vai ser previsível. E as descrições mágicas são menos interessantes que as iniciais no Grand Canyon. Não voltaria a pegar nele.

Palavras-chave: Princesas; magia; previsível; aventura; animação; infantil… também ele.

5 livros, 4 géneros literários

Foi lido o primeiro capítulo de cada um de 5 livros. Cada um tinha o seu género literário diferente. Posto de forma simples: dois eram para adultos, mas um era islandês e outro português (com tons diferentes); dois eram livros infanto-juvenis; e um era para jovens adultos. 

Poderá parecer injusto comparar livros complexos para adultos com a simplicidade infantil de livros infanto-juvenis. Talvez fosse mais justo dar primeiras impressões lendo mais capítulos, nesses casos. No entanto, há muitos livros muito bonitos escritos para crianças – que não se valem dos mesmos truques que senti serem explorados nestes dois exemplares (e logo no início). E a variedade surgiu espontaneamente, sobretudo pelo "julgar o livro pela capa".

O único livro que fiquei sem vontade nenhuma de continuar a ler foi Princesas Secretas: Férias Reais. Os Milagres de Miranda imagino que poderia vir a ser uma opção de leitura, em determinadas circunstâncias. Mas falando das experiências mais positivas: O que realmente me despertou mais curiosidade foi a relação entre as irmãs em A Todos os Rapazes que Amei. Esse livro foi o que me deixou uma maior inquietação e desejo de leitura desenfreada - é de leitura fácil. O que mais me fascinou, apesar de exigir muito mais concentração, foram as paisagens de Os Peixes Não Têm Pés e a poesia do estilo literário; se calhar seria o que eu mais quereria ler, porque expectativa é maior (ainda que, por outro lado, pudesse revelar-se denso demais). Mas Uma Outra Voz também teve o seu encanto, e as expectativas também para ele também são razoáveis. Além disso, tem sido agradável explorar o universo em que se enquadra.Vou gostar muito de saber se o que se segue me continuará a envolver e interessar. 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Flipped: Um filme que nos troca as expectativas e dá um todo maior que as partes

10 Items or Less (2006): a beleza de descobrir alguém

Escola das Artes – O Filme (2018) é razoavelmente engraçado